Se alguém me perguntar o que me move, a resposta vem rápido: ajudar pessoas. É o que me preenche, se é que esse é o verbo certo. Mas outro dia me fiz uma pergunta que me incomodou mais do que eu esperava: por que ajudar pessoas? Qual é a motivação por trás disso?

À primeira vista, a resposta parece óbvia. Ajudo porque quero que as pessoas fiquem bem. Só que, olhando com mais honestidade, surgem outras possibilidades, e nenhuma delas é bonita.

E se eu ajudo porque, ao ajudar, me sinto mais importante do que quem está sendo ajudado? Mais inteligente, mais capaz, mais competente? E se ajudar os outros for só uma forma de inflar o meu ego? Ou uma maneira de ocupar um tempo que eu não saberia usar de outro jeito? Ou, pior, uma ferramenta para tornar o meu nome conhecido?

Não passa despercebido que estou escrevendo isso num blog que leva o meu nome. A pergunta vale para mim antes de valer para qualquer outra pessoa.

Acho que muitos de nós vivem no automático, carregando uma motivação mascarada. Fazemos o que fazemos, ou o que achamos que deveríamos estar fazendo, sem parar para perguntar o porquê de verdade. E essa pergunta explica mais do que parece. Explica, por exemplo, por que alguns dias parecem mais felizes do que outros.

A alegria que não é alegria

A Bíblia diz que a alegria do Senhor é a nossa força (Neemias 8:10). Se a nossa alegria verdadeira está Nele, o que é então essa outra coisa que às vezes nos deixa alegres e não vem Dele?

Talvez seja uma alegria mentirosa. Não só passageira, mas mentirosa mesmo: uma outra coisa vestida de alegria.

E aí me pergunto se não acontece o mesmo com a motivação. Se não existe uma motivação verdadeira e outras que só se parecem com ela. Talvez seja exatamente por isso que ter um propósito importa tanto. É o propósito que nos mantém motivados, alegres e alinhados independentemente das circunstâncias, da forma como as coisas acontecem ou da velocidade com que elas chegam.

O conforto do que é material

Muitas vezes a nossa motivação é material. E a motivação material tem uma grande vantagem: ela é fácil de entender e fácil de perseguir. É palpável, mensurável, comparável. Mesmo quando o objetivo está muito distante da nossa realidade, ele continua sendo algo que dá para ver, contar e comparar com o do vizinho.

Quando a motivação não é desse tipo, tudo se complica. Fica difícil até de descrever.

Salomão escreveu que quanto mais conhecimento, mais sofrimento (Eclesiastes 1:18). Tenho pensado nisso pelo lado contrário. Quanto menos a gente se conhece, quanto menos reflete e quanto mais baixos são os nossos objetivos, mais fácil a vida fica. Não mais simples, mas mais simplificada. Tudo se resume a algo que dá para medir, tocar e comparar.

Só que a Bíblia também diz que os planos do Senhor são mais altos que os nossos, assim como os céus são mais altos que a terra (Isaías 55:9). Quando a gente sai da esfera do material e começa a buscar esses planos altos, a vida deixa de caber numa régua. E aí fica bem difícil.

Onde eu estou

É aqui que eu me encontro: tentando viver na esfera dos planos altos e me perguntando qual é, de fato, a minha motivação.

Não tenho a resposta pronta. Mas estou cada vez mais convencido de que fazer a pergunta com honestidade já é parte do caminho. E, se você também nunca parou para fazê-la, talvez valha começar por aqui: por que você faz o que faz?